sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nasce Sabendo [ parte 1 ]

Eles são linguistas de mão cheia, trazem matemática de berço, são naturalmente solidários e preferem mocinhos a bandidos.

  • Olhares: bebês enxergam como adultos. Observam o que é interessante, desviam do monótono. Sempre que o bebê encarar algo, é sinal de que ele quer saber mais sobre aquilo - ou aquele assunto de que você está falando.
E não é porque "essa moçadinha de hoje" é mais esperta. Ao contrário do que diz a lenda urbana, os bebês do século 21 não são pequenos Einsteins. A explicação é mais simples: para se encaixar na complexa vida social do   Homo sapiens, é importante já nascer sabendo uma série de coisas. Psicólogos e neurocientistas estão descobrindo que o cérebro dos bebês não é uma página em branco ( ou um anexo da mente materna, como apostam freudianos mais radicais). É um computadorzinho que já vem de fábrica com várias regras sobre o funcionamento do mundo e das pessoas, pronto para absorver conhecimentos sobre o mundo à sua volta.
O repertório dos bebês é eclético: engloba fundamentos de matemática e física, facilidade para línguas, inteligência emocional e, pasme, filosofia moral. (Ao menos, preferência clara a mocinhos e aversão a bandidos). Como acontece na vida adulta, meninos têm algumas capacidades mais aguçadas, enquanto meninas os superam em outras.
É claro que nem todas as habilidades se manifestam ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, mas os estudos mais recentes deixam claro que os bebês não têm nada de bobinhos: nós é que não estávamos prestando tanta atenção neles quanto eles estavam prestando em nós.

Questão de Método
Um dos maiores obstáculos da psicologia do desenvolvimento, o ramo que estuda a mente dos bebês, é metodológico: como descobrir o que um nenê está pensando? Crianças novinhas não falam, e só a partir de 1 ano começam a entender perguntas simples. "Como eles são descoordenados, também não podemos usá-los em experimentos com labirintos ou alavancas, como os que faem com ratos e pombos", brinca o psicólogo Paul Bloom, da Universidade Yale (EUA).
Bloom trabalha com Karen Wynn, sua mulher, no Centro de Cognição Infantil de Yale, desenvolvendo justamente jeitos de entrar na cabeça dos pequenos.
Um dos truques envolve chupetas ou mamadeiras com medidores de pressão: vários experimentos mostram que, quanto maior a força da mamada, maior a surpresa e/ou interesse.
A análise empregada com mais frequência e sucesso, no entanto, é ainda mais singela: a do olhar. Com as câmeras atuais, é possível rastrear com precisão para onde os nenês estão olhando durante um experimento. Igualzinho aos adultos, eles tendem a olhar por mais tempo para coisas que chamem mais atenção e desviar os olhos quando a cena já ficou chata. Medir a frequência do olhar é simples, mas ajuda os cientistas a entender reaçoes sutis a todo tipo de situação.
É claro que, mesmo com todo esse planejamento, alguns bebês simplesmtente não esstão muito interessados em cooperar, seja pegando no sono, seja abrindo o berreito diante da situação estranha. Por isso, Bloom costuma brincar que a psicologia do desenvolvimento é " a ciência do bebê alerta".

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